Entropia Empresarial X Cultura de Inovação

As estratégias para se superar continuamente no contexto de um ambiente de negócios dinâmico 

Seu negócio caminha para o sucesso ou para a aleatoriedade entrópica?

Em princípio, pode parecer curioso associar o universo da gestão empresarial com entropia, conceito da termodinâmica formulado pelo físico e matemático alemão Rudolf Clausius que, de modo bastante sintético, analisa o grau de liberdade molecular de um sistema e se conecta com estudos sobre dispersão de energia e aleatoriedade.

Todavia, esta adaptação faz sentido quando encaramos as empresas como sistemas vivos que, se deixados ao sabor de uma gestão sem critérios (ou com critérios obsoletos) e estagnada, também tende a dispersar propósitos, perdendo-se em meio a desordem e sucumbindo a um mercado dinâmico, ágil e em constante transformação.

Precisamos, pois, encontrar o equilíbrio entre a liberdade necessária para os processos criativos e para a construção de uma cultura de inovação, e a necessidade de saber monitorar seu crescimento – medindo o que precisa ser medido –, desenhando processos claros por meio de uma gestão transparente e com abertura para mudar sua rota sempre que necessário.                 

A entropia no mundo dos negócios

A entropia começa a fazer parte da realidade de uma empresa a partir do momento em que elas abrem mão de inovar. 

É comum que, ancorados na história de sucesso de uma organização, gestores percam o hábito, a gana de reavaliar objetivos, de observar com atenção os movimentos do mercado e, sobretudo, de criar novos caminhos, novos produtos e serviços que podem ser decisivos para renovar o gás de uma companhia, de modo que ela não sucumba ao processo entrópico. 

E o fato é que este processo pode levar anos ou meses, mas a tendência é a de que, em um mercado movido pela disrupção – seja de grandes empresas dispostas a se reinventar, seja de startups, scale-ups e de negócios que já nasceram digitais – as companhias que não souberem aderir a uma cultura de inovação capaz de reavaliar desde processos e indicadores até a criação de novos produtos/serviços correm muitos riscos de ficar para trás, perdidas em um ambiente de mudança.   

A entropia cultural

Neste sentido, a entropia nas empresas é também uma entropia cultural. A entropia cultural bloqueia o crescimento dos colaboradores pela falta de orientação e clareza.

Neste processo, gestores perdem-se em microgestão e desperdiçam o esforço de seus times que se desmotivam, perdem o engajamento mediante a ausência de propósito da companhia em face a um mercado pulsante e dinâmico. 

Quando se instaura este processo, ou os gestores investem em um planejamento de novas estratégias, gerindo, monitorando, assumindo riscos com as novas ações e abrindo mão da cultura do medo errar; ou a empresa pode entrar em um ciclo muito negativo, perdendo seus melhores colaboradores pela ausência de norte e de resultados. 

A cultura de inovação como rota para superação da entropia

Diante de todo este contexto, uma cultura de inovação se faz necessária para que as empresas se renovem em face da entropia. E, para tanto, embora não haja uma receita de bolo – pois cada empresa é um universo com suas próprias complexidades que devem ser analisadas caso a caso – acredito que alguns passos gerais podem ser considerados, incluindo:

  • Compromisso: o compromisso com uma cultura de inovação deve ser assumido pelas lideranças e transmitido para toda a organização, que passará a difundir este propósito interna e externamente, de modo engajado;
  • Liberdade + Processos: Dê liberdade para os seus colaboradores, mas equilibre a liberdade com processos claros e indicadores que os motivem a crescer e demonstrem o papel de cada um na conquista de novos resultados;
  • Cultura Colaborativa: Há diversas formas de se construir uma mentalidade colaborativa em um mercado que, cada vez mais, se abre para esta possibilidade de troca. Você pode desde fomentar uma parceria de inovação aberta com uma startup até se engajar, de modo mais incisivo, nos ecossistemas de inovação através de eventos, fóruns, cursos, etc. O importante é entender o que faz mais sentido para sua empresa e aplicar;
  • Seja ágil: Erre rápido e barato, faça testes, crie núcleos de inovação na sua empresa e implemente processos mais ágeis, eliminando burocracias e microgerenciamentos que só travam os processos de inovação;
  • Mudança: Por fim, é importante estar disposto, sempre, a reconstruir sua cultura, a fazer mudanças se elas se mostrarem necessárias e a entender que, em um mercado dinâmico, quem não está disposto a se transformar pode morrer abraçado com uma ideia. 

E você, o que fez hoje para estimular uma cultura de inovação e criar novos rumos para sua empresa?

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