“A incerteza é algo presente, desejável e necessário para a evolução.”
A frase, do grande ensaísta e analista de risco líbano-americano, Nassim Taleb – que conquistou o mercado com ricos insights e a análise de conceitos como o de Cisne Negro e a heurística da Pele em Jogo (Skin in the Game) – é um norte interessante para iniciarmos este artigo.
Após uma sólida carreira de muitos aprendizados como executivo no mercado de tecnologia, nos últimos anos, tenho me dedicado a uma trajetória de empreendedorismo e de investimentos para a aceleração de novos negócios que podem contribuir com o fortalecimento da economia brasileira. Em ambos os casos, pude compreender a importância da incerteza, como uma força capaz de nos mover de nossas zonas de conforto, estimular o crescimento profissional e pessoal e impulsionar o surgimento da inovação.
Muitas vezes, temos a ilusão de que uma posição de alta gestão ou diretoria pode nos livrar da incerteza. Todavia, na minha percepção, esse é um dos aprendizados que os executivos podem extrair do universo empreendedor: os melhores executivos são sempre aqueles capazes de assumir riscos, de desenvolver novos projetos, de estimular o crescimento de suas equipes e, sobretudo, de estar disposto a implementar mudanças, de modo que seus negócios não fiquem estagnados e percam a relevância diante de um mercado cada vez mais dinâmico e disruptivo.
Aliás, este é o principal ponto que gostaria de trazer aqui hoje: empreendedores e executivos podem aprender muito um com o outro, se souberem adotar uma visão despida de barreiras e ciente de que sempre é possível evoluir, extraindo conhecimento de diferentes fontes.
O que executivos podem aprender com empreendedores?
Além da questão do assumir riscos, os executivos do mercado contemporâneo podem absorver dos empreendedores – sobretudo com os novos modelos de negócio que estão surgindo a partir de empresas e startups nativas digitais – uma mentalidade de gestão mais ágil, cortando, sempre que possível, etapas burocráticas em suas rotinas e entendendo que, em um ambiente de negócios que se transforma a cada segundo, ganharão aqueles que souberem adotar um ritmo mais flexível e eficiente em seu dia a dia.
Além disso, precisamos cortar de nossa mentalidade um modelo de aversão e punição ao erro. Obviamente, quando falamos de grandes companhias, temos de trabalhar para preservar o legado e patrimônio de uma marca, avaliando de modo realista cada passo dado.
Entretanto, podemos também abrir mais núcleos centrado no desenvolvimento de produtos/projetos inovadores, adotando lógicas de MVP e, entendendo que, em um processo de disrupção, o erro é uma fonte de aprendizado. Conforme bem pontuou o Raphael Klein em artigo para a Época Negócios, precisamos errar bastante, rápido e barato, colhendo novos conhecimentos para o desenvolvimento de produtos e serviços inteligentes e inovadores.
O que empreendedores podem aprender com executivos?
Mas não são só os executivos que podem absorver conhecimentos com os empreendedores. Como investidor e mentor recebo, de modo frequente, pedidos de orientação de líderes de startups e empresas que estão escalando no mercado e precisam fortalecer sua estrutura organizacional – sem abrir mão da capacidade de enfrentar riscos, agilidade e capacidade testar/errar/aprender.
Neste sentido, um primeiro ponto envolve a capacidade de organizar indicadores para avaliar os resultados que seu negócio está gerando ou tem potencial concreto para gerar. E isso porque, por mais inovador que seja o seu produto, quando uma startup vai, por exemplo, entrar em uma rodada de investimentos, ela precisa ser capaz de demonstrar sua capacidade de geração de resultados e viabilidade, de modo que atraia o interesse de anjos/empresas/investidores.
Outro ponto importante envolve a capacidade de estruturar modelos de gestão e saber direcionar os talentos de sua equipe em prol da conquista dos objetivos de seu negócio. Por mais horizontal que seja a mentalidade de sua empresa, você precisará adotar diretrizes – mesmo que flexíveis – e definição de funções/responsabilidades, para orientar seus colaboradores em prol, novamente, da geração de resultados.
Do contrário, suas equipes poderão ficar sem um norte de propósito nas suas atividades, sobrecarregadas ou ociosas; e você acabará perdendo talentos que podem ser decisivos para o seu crescimento.
Por fim, a própria capacidade de liderar grandes equipes e assumir uma visão de crescimento em larga escala é algo que os empreendedores podem extrair de executivos que, atuando em grandes companhias, tem a missão, justamente, de conduzir todo um corpo de colaboradores em prol dos objetivos estratégicos de uma organização.
A abertura para a evolução
Em todo este contexto, o que está em jogo é a abertura e coragem para evoluir, para observar e aprender com o outro, tendo a humildade para reconhecer que nunca sabemos o bastante e podemos, sempre, absorver novos conhecimentos em nossa jornada. Ou, para fecharmos também com uma frase célebre – agora de um dos maiores artistas da humanidade, Leonardo Da Vinci:
“Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende.”