O poder do Duplo Diamante

O cotidiano de qualquer jornada empreendedora é repleto de desafios complexos e é justamente nestes cenários que podemos encontrar oportunidades para desenhar novos produtos e trilhar as rotas da inovação, em um ciclo positivo que culmina em geração de valor para o mercado e consumidores, abertura de novas oportunidades e consolidação das empresas que souberem transformar obstáculos em matéria-prima para o sucesso. 

Mas toda caminhada com propósito precisa de um mapa, de uma estratégia para que seja possível colher aprendizados em cada passo e o processo de inovação/resolução seja realizado de modo ágil e inteligente. 

É o caso, por exemplo, do Design Thinking e, mais precisamente, da metodologia Double Diamond, criada pelo Design Council na primeira metade dos anos 2000 e que tem sido uma estratégia utilizada por empresas dos mais diversos segmentos para impulsionar suas rotinas de prototipação, superar cenários complexos e, inclusive, fomentar cenários de co-criação e ecossistemas disruptivos. 

Não à toa, segundo dados recentes, 71% das companhias que utilizam o design thinking apontam que tiveram avanços em sua cultura de trabalho, enquanto 69% indicam que seus processos de inovação se tornaram mais eficientes. Levando em conta todo este contexto, neste artigo analiso a metodologia do duplo diamante, uma das bases centrais do design thinking.  

O método do Duplo Diamante: Divergência e Convergência

De modo objetivo, a metodologia do duplo diamante mostrar o poder do trabalho coletivo, aberto e direcionado para a resolução de problemas. Ele funciona a partir de dois ciclos de divergência (brainstormings/geração de insights) e convergência (que dá definição para as ideias geradas) em um processo de trabalho colaborativo que só fortalece a cultura das organizações e cria uma lógica de exploração dos desafios de modo ágil.

Os diamantes do design thinking são construídos a partir de quatro eixos principais: 

Descoberta

Como o próprio nome já indica, essa é a hora de “imergir no problema”, buscando identificar dados e parâmetros que delimitem o escopo do cenário que está sendo investigado. A partir deste estágio de exploração, ideias devem ser incentivadas com liberdade (brainstorming), estimulando debates e ideias que surgem desse processo inicial – e natural – de divergências construtivas. 

Definição

Na segunda etapa, levamos adiante as ideias mais promissoras, definindo as propostas que mais se relacionam com o problema/objetivos, em um processo de convergência e priorização que servirá de base para as etapas seguintes do double diamond. 

Desenvolvimento e Criação

É chegado o momento de refinar as ideias finais antes da entrega e, novamente, abre-se uma janela de brainstorming para o esboço da resolução do problema, com a diferença de que, nesta etapa, a troca de ideias divergentes já estão embasadas com os dados e definições das etapas anteriores. 

Prototipagem/Experimentação/Entrega

Por fim, no último eixo do diamante, entramos novamente em um movimento de convergência no qual a solução será prototipada em pequena escala e testada, seja com clientes ou diante das variantes impostas no contexto do problema. É neste momento que coletamos feedbacks e fazemos os ajustes finais para que, por exemplo, um produto seja lançado no mercado ou mesmo iniciemos um novo ciclo para propor melhorias/identificar novas rotas para o problema.

O importante é percebermos que, por meio do double diamond, temos uma estratégia rica para testar soluções, sem precisar despender um alto volume de recursos e fortalecendo uma mentalidade inovadora entre os membros de suas equipes. 

Para tanto, as lideranças de uma organização precisam cultivar um ambiente de abertura, criando núcleos de trabalho livres da cultura de punição ao erro e nos quais impere uma perspectiva colaborativa e diversa.

Vale salientar que, com o redesenho do mercado – que, cada vez mais, quebra as barreiras dos espaços de trabalho tradicionais – o investimento em plataformas digitais que permitam a integração plena dos colaboradores, não importa de onde atuem, pode ser um trunfo para quem deseja estimular a colaboração nos processos de design thinking, impulsionando, ainda, uma cultura remote first.

O fato é que, independentemente do contexto de seu negócio, explorar o poder do duplo diamante pode lhe fornecer o mapa que você precisava para entrar de vez na era da inovação.  

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